Mídia Esportiva Entrevista André Henning



Hoje o Mídia Esportiva Entrevista traz uma bate-papo com o narrador do Esporte Interativo André Henning, que para muitos é o melhor narrador da TV Aberta. Na entrevista ele fala sobre carreira, futuro e entre outros assuntos.

ME: André Henning, Para começar, fale sobre seu começo de carreira em Salvador? O que aprendeu por lá?
André Henning: Aprendi muita coisa. Era o começo das rádios com notícias em FM e a Rádio Cidade (hoje Metrópole FM) era a pioneira em Salvador. Fiz muito jornalismo, mas também fui locutor musical e aprendi bastante sobre o funcionamento técnico de uma rádio – gravação, edição, fabricação de vinhetas, operação. Sempre fui muito curioso e aproveitei a oportunidade para aprender os detalhes que podem parecer os menos importantes possíveis, mas não são... Enfim, foi a minha grande escola. Tenho um carinho enorme pelo pessoal da rádio, especialmente o Mário Kertész, e até hoje quando vou à Salvador faço questão de passar para fazer uma visita.

ME: Quais os maiores ensinamentos que você aprendeu seu pai?
André Henning: Foram muitos, mas vem dele o meu comportamento “discreto” em um meio onde quem faz “lobby” acaba se dando melhor. Não precisou ele me ensinar, mas desde cedo percebi o quanto que isso pode ser ofensivo à minha personalidade. Tem gente que vive circulando entre pessoas poderosas, passa horas no telefone fazendo a própria propaganda, enfim... Nunca vi meu pai fazer isso, e procedo da mesma forma. Você não verá notícias minhas “plantadas” em sites, jornais ou afins assim como não verá notícias dele. Por um lado, naturalmente acabamos menos valorizados por muita gente, mas estou tranquilo em ser assim. Prefiro não fingir ser alguém que não sou.

ME: Quando surgiu o interesse pela narração e quando começou efetivamente a cumprir a função?
André Henning: Meu interesse é antigo, mas ficou meio adormecido por muito tempo... Desde garoto, sonhava com a narração esportiva. Me lembro de ter narrado praticamente todos os jogos da Copa do México, em 1986, vendo pela TV (claro) num gravador velho do meu pai. Mas nunca fui obcecado pela narração esportiva. Virei repórter e esqueci um pouco do sonho. Ela acabou surgindo naturalmente na minha vida. Quando era repórter da equipe do Éder Luiz (primeiro na Band FM, depois na Rádio Transamérica de SP), surgiu uma oportunidade para narrar Fórmula Um. Fiz uma temporada e meia, se não me engano. Mas para valer, só aconteceu em 2004 nos Jogos Olímpicos de Atenas. O Éder, que narraria os jogos da nossa seleção masculina de vôlei daqui do Brasil, teve um compromisso e me escalou para narrar, lá da Grécia, a estreia brasileira contra a Austrália. Estudei, me preparei e fui pro ar. Ele gostou e acabei narrando todos os jogos daquela campanha do ouro olímpico. Na volta, veio o convite formal para, aos poucos, me transformar em narrador. Nunca deixei de ser repórter, mas a narração se transformou, aos poucos, no meu maior objetivo.

ME: Quando e como surgiu a oportunidade de trabalhar no Esporte Interativo?
André Henning: Começou com um projeto que durou 6 meses na NGT (canal UHF), onde fazíamos os campeonatos Inglês e Português aos sábados. Isso foi no primeiro semestre de 2006. Depois da Copa do Mundo, segui trabalhando com o Esporte Interativo nas narrações do Campeonato Português na TV Cultura e, eventualmente, no Campeonato Inglês na Band. Até que veio o convite para me dedicar exclusivamente ao projeto de lançamento da TV Esporte Interativo no início de 2007.

ME: Como é sua preparação para as transmissões no Esporte Interativo?
André Henning: Sou muito chato com isso. Me dedico muito à minha preparação. Mergulho intensamente no jogo que vou narrar. O iPhone e a internet facilitam, pois tenho acesso às informações do mundo inteiro com um click. Se o jogo, por exemplo, é da NBA, passo o dia ouvindo as rádios esportivas americanas enquanto faço outras atividades do meu dia-a-dia. Se é da Liga dos Campeões, vou nas rádios dos países dos clubes que estarão jogando. E por aí vai. E três horas antes da transmissão, passo a me dedicar exclusivamente à preparação do jogo. Sou metódico, gosto de estar por dentro de tudo.

ME: Muitos dizem, que você é maior narrador da TV Brasileira, como se sente?
André Henning: Muito honrado, claro. Fico muito feliz por saber que tem gente que gosta de mim, que se envolve com as transmissões, que se emociona, que sofre junto... Acho que o esporte é isso mesmo, tem que se envolver. Me entrego de corpo e alma à cada transmissão, por isso é uma alegria enorme saber que o trabalho está sendo aprovado por muita gente. Ter seu trabalho reconhecido é uma parte importante da minha vida profissional.

ME: De toda sua carreira, qual foi o melhor momento?
André Henning: As coberturas da Copa do Mundo de 2002 quando, ainda como repórter, vivi o dia-a-dia da seleção que trouxe o penta e as Olimpíadas de Atenas, por ter vivido intensamente durante 15 dias aquele que, para mim, é o maior evento esportivo do planeta. Na Grécia, a narração renasceu em mim e passei a ter um sonho profissional diferente. Aquela cobertura mudou muita coisa na minha vida.

ME: Se pudesse, voltaria ao rádio, ou isso não faz parte de seus planos para o futuro?
André Henning: Adoraria poder voltar ao rádio e, sem dúvida, faz parte dos meus planos. É uma paixão e tem lugar especial no meu coração. Ainda farei alguma coisa no rádio.

ME: Como é a relação com os seus colegas de trabalho? O ambiente do Esporte Interativo nos bastidores é tão alegre como o que a gente vê na TV?
André Henning: Ótima. O ambiente é realmente alegre como se vê no ar. Sei que trata-se de algo raro no meio e que fazemos questão de preservar. São todos amigos. Isso faz a diferença.

ME: Em casa, quando está de folga costuma acompanhar transmissões esportivas?
André Henning: Sempre que possível. Sou curioso, vejo o que nossos “concorrentes” estão fazendo, mas também fico fuçando para ver transmissões de outros países, buscando novidades. E ouço muito rádio também.

ME: Você vê problema aos jornalistas sem diploma? Aos ex-jogadores que viram comentaristas?
André Henning: Não vejo problema algum. Acho a universidade muito importante, mas não me faz diferença se o jornalista tem diploma ou não. O que importa é a competência, a honestidade, a correção e a habilidade para falar/escrever sobre o tema. Também não tenho absolutamente nada contra ex-jogadores que viram comentaristas.

ME: Como você avalia esse crescimento do Esporte Interativo? Seu contrato vai ate quando?
André Henning: Fico muito satisfeito com o crescimento do Esporte Interativo. Trabalhamos com muita paixão aqui, dedicação total ao sonho de se fazer uma TV esportiva aberta num país que é apaixonado por esportes. Não posso falar sobre meu contrato, mas por enquanto estou muito satisfeito no Esporte Interativo!

ME: Como é ter ao lado nos comentários um dos maiores jogadores da historia do futebol, o Zico?
André Henning: Maravilhoso. O Zico passa a ser ainda mais ídolo quando você convive com ele. É ídolo mesmo – gentil, educado, prestativo e conhece muito. Um craque.

ME: Porque você não está mais apresentando programas, existe algum novo projeto que será lançado em breve?
André Henning: Como o número de transmissões aumentou muito nos últimos tempos – e continua aumentando, acabava sem conseguir ter sequência no Jogando em Casa. Por isso, saí da apresentação. Estive à frente do Brahmeiro e agora continuo priorizando a narração. Mas numa dessas, pode pintar alguma coisa nova em breve aí, hehe...

ME: Como surgiram alguns de seus famosos bordões, como "Tem que apanhar de cinta"? Os bordões são seus mesmo?
André Henning: Surgem naturalmente. Alguns deles, ouço na rua. Outros, alguém fala em alguma transmissão de maneira despretensiosa, no meio de um comentário, por exemplo... Mas, no geral, são coisas que surgem no momento e, se agradam, continuo fazendo.

ME: Demonstrar o time que torce acaba atrapalhando carreira na imprensa esportiva?
André Henning: Isso é polêmico. Acho que prejudica, tem muita gente que não entende e mistura as bolas. É muito fácil para os torcedores simplesmente te acusarem de ser torcedor por estar emitindo uma opinião que ele discorde. Muito mais fácil te chamar de torcedor e, com isso, tentar tirar o crédito e a isenção do que está sendo falado. Mas eu não saberia atuar de outra forma. Não ficaria me escondendo atrás de um XV de Jaú ou de outro time menor qualquer para não dizer o time para o qual torço. Todo mundo tem um time, eu também. Aliás, por isso sou tão apaixonado pelo esporte, por ter o poder de me envolver com ele. Isso, no entanto, não me cega. Não emito opiniões levando em conta o meu lado torcedor, até porque é bem de vez em quando que me pego torcendo de verdade pelo meu time. No geral, vejo os jogos com um pouco mais de atenção, mas não perco meu sono por causa de uma derrota...

ME: Você costuma correr na Corrida de São Silvestre todo ano, qual a meta para esse ano?
André Henning: Conseguir correr, como em todas as outras. É uma prova complicada, no último dia do ano, e tem-se que conseguir acomodar os planos do réveillon com o horário da prova. Então, o primeiro desafio da São Silvestre é estar lá! Cumprindo essa parte, é se divertir e fazer daqueles 80, 90 minutos uma reflexão do que foi o ano e se preparar espiritualmente para o ano que está prestes a começar. Para mim, é sempre um ritual muito importante pois faço a prova com meu pai. Virou tradição e espero conseguir mantê-la por muitos anos ainda...

ME: Para encerrar, deixe uma mensagem para nossos leitores que te acompanham no Esporte Interativo!
André Henning: Obrigado por nos acompanharem. Trabalhamos todos os dias com muita vontade e dedicação para fazermos a melhor TV de esportes do Brasil. Podem ter certeza disso!



Compartilhe no Google Plus

Por Ewerton Prado

Para entrar em contato com o editor - Email: midiaesportiva@hotmail.com / Celular e WhatsApp: (81)996331508.