Globosat diz que modelo de negócio do Esporte Interativo o impede de entrar nas maiores operadoras da TV a cabo


Em meio a uma disputa velada com a Globosat para tentar entrar nas maiores operadoras de TV a cabo, o Esporte Interativo aposta em planos exclusivos para a internet, com toda programação aberta para assinantes na web. A iniciativa é, na opinião do executivo da empresa da Globo, Alberto Pecegueiro, um entrave para a emissora que detém os direitos da Liga dos Campeões fechar acordo com maiores operadoras do mercado.

Na última sexta-feira (18), o vice-presidente sênior de conteúdo esportivo do Esporte Interativo, Edgar Diniz, afirmou que há uma pressão dos rivais no mercado para impedir a entrada da sua emissora nos pacotes das operadoras que dominam o mercado: NET e Sky.

Em entrevista à Folha de São Paulo, ao jornalista Guilherme Seto, o diretor-geral da Globosat, Alberto Pecegueiro, contesta as críticas e diz que o modelo de negócio do Esporte Interativo o impede de entrar nas maiores operadoras da TV a cabo.

"Os veículos de comunicação, de modo geral, estão deixando passar um aspecto fundamental na questão do Esporte Interativo. O ecossistema de TV paga contrata canais para fornecer conteúdos exclusivos a seus assinantes. Nenhuma programadora de TV paga disponibiliza esses conteúdos via internet para os assinantes, com exceção do Esporte Interativo", explica Pecegueiro.

As dificuldades nas negociações entre Esporte Interativo e as principais operadoras do país (especialmente Sky e NET) têm repercutido porque a maior parte dos assinantes de TV paga do país não estão conseguindo acompanhar à maior parte dos jogos da Liga dos Campeões, cujos direitos de transmissão foram adquiridos pela emissora em 2014.

Atualmente, o EI Maxx (canal criado pelo Esporte Interativo para transmitir a liga) está presente nas grades das operadoras Oi, GVT e TV Alphaville, além de outras regionais, que detêm pouco mais que 12% (cerca de 2,4 milhões de pessoas) do total do mercado de assinaturas.

O Esporte Interativo quer espaços nas grades da NET e Sky, que respondem por pouco mais de 80% das assinaturas a cabo (quase 16 milhões), segundo levantamento da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) divulgado em julho deste ano.

Por meio do site eiplus.com.br ou do aplicativo do Esporte Interativo, o assinante pode ter acesso a toda a programação do Esporte Interativo por R$ 14,90 mensais, ou 12 vezes de R$ 9,90 em um plano anual. Na Apple Store e na Play Store, os valores são cobrados em dólares (US$ 6,99 mensais). Outras emissoras de esporte permitem ao assinante do pacote da TV acessar o conteúdo pela internet, mas não abrem a possibilidade para fazer a assinatura exclusiva para o site.

Segundo Pecegueiro, a possibilidade de negociação direta entre emissora e assinantes que existe no modelo do Esporte Interativo estaria incomodando as operadoras, que veriam na própria emissora um concorrente em potencial.

"Essa tentativa de dizer que o público brasileiro vai deixar de ver a Liga dos Campeões porque o Esporte Interativo não consegue distribuição é conflitante com uma decisão de negócios da Turner [grupo multinacional que é sócio-majoritário do Esporte Interativo] de colocar todos os jogos da Liga dos Campeões na internet para que você possa assistir mesmo que não seja assinante de TV a cabo", afirma.

"Então esse negócio de creditar à minha frase na mesa-redonda da ABTA [o fracasso nas negociações com operadoras] quando ele [Edgar] tem uma decisão de negócios que claramente confronta todo o ecossistema de TV paga é manipulação", conclui Pecegueiro.

O executivo da Globo se refere a uma declaração dada por ele em agosto em palestra na Associação Brasileira de Televisão por Assinatura. Pecegueiro falou de"loucos à solta", referindo-se aos valores investidos por emissoras na aquisição de direitos de transmissão, entre elas a Turner, a atuação do grupo Discovery na Europa e também a Al-Jazeera.

Na mesma ocasião, uma mesa-redonda que tratava da relação entre os valores investidos na compra de direitos de transmissão e seu efeito na cadeia de valores do mercado, ele disse que cabia às operadoras dar o limite a esse tipo de "loucura". A Globosat controla a SporTV, concorrente do Esporte Interativo.

"Toda a negociação por direitos esportivos envolve uma lógica de negócios. A gente vê no mundo, e não só no Brasil, algumas tentativas que carecem dessa lógica. Isso encarece toda a cadeia de valor do mercado", diz Pecegueiro, explicando sua fala sobre "os loucos no mercado."

Contatado pela reportagem da Folha, Diniz ressaltou não estar fazendo nenhuma acusação ao executivo da Globo, mas se disse perplexo e preocupado com suas declarações.

"O Pecegueiro disse que não tem qualquer relação na negociação entre a Turner e as operadoras e, em seguida, diz quais são as razões pelas quais as operadoras não distribuem os canais do Esporte Interativo. Como ele sabe essas razões das operadoras se não tem qualquer envolvimento? Por que as razões que ele diz são diferentes das razões divulgadas publicamente pelas operadoras a seus clientes (que foram do preço alto)? Por que ele está se pronunciando em nome das operadoras sobre essas razões? Não estamos fazendo nenhuma acusação, até porque a questão seria muito grave, mas tenho que confessar que minha perplexidade e preocupação aumentaram com essas declarações", argumenta Diniz.


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Por Vevé Prado

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