Em entrevista, Alex critica dependência do futebol brasileiro em relação a Globo


O ex-jogador Alex passou a ser um dos símbolos do Bom Senso FC, movimento de atletas contra os desmandos no futebol. Apesar de rejeitar o papel de líder, Alex se destaca por emitir suas opiniões de forma clara e direta.

Em entrevista feita a Revista Fórum, ele falou da influência da Rede Globo no futebol brasileiro, do despreparo dos dirigentes dos clubes e dos bastidores do esporte – temas abordados em sua recém-lançada biografia, escrita pelo jornalista Marcos Eduardo Neves (Alex, a biografia, Editora Planeta).

Confira o trecho da entrevista em que ele comenta sobre a emissora carioca. Para ver a entrevista completa, clique neste link.

Fórum – Em uma entrevista, você chegou a dizer que a CBF era a sala de reuniões da Rede Globo. Como você vê o papel da emissora nisso?

Alex – Não consigo ligar tanto a Rede Globo com a gestão da CBF. A Globo tem um peso muito grande dentro do futebol brasileiro. É o canal de televisão mais importante do país, é o que mostra nosso futebol. Mas eu não tenho conhecimento para falar dos contratos. A Globo hoje é vital para o futebol brasileiro, todos nós sabemos disso.

Fórum – Mas a CBF é a sala de reuniões da Globo mesmo?

Alex – É o que eu imagino mesmo. A Globo é a pagadora das contas. Se te chamo para almoçar e pago a conta, posso escolher o restaurante, o dia e o horário. É mais ou menos o que a Globo faz. Mas eu não sei que tipo de interferência, de ingerência ela tem. Seria leviano da minha parte falar algo a respeito disso. O que eu disse, e as pessoas interpretaram como crítica, é que eu via e continuo vendo a CBF como uma grande sala de reuniões onde quem tem o grande poder nas decisões é quem tem o dinheiro. Quem paga a conta desses clubes muitas vezes é a cota de televisão. A Globo está errada? Acho que não. Ela paga, é detentora dos direitos. Agora, como foram feitos esses contratos, como foram discutidos, seria leviano da minha parte falar. Não faço isso, desconheço o conteúdo desses contratos.

Ainda no bate-papo, ele comentou sobre o papel da imprensa esportiva e sua experiência como comentarista na ESPN. Veja:

Fórum – Como analisa o papel da imprensa esportiva no futebol?

Alex – A imprensa é a sociedade inserida. São pessoas com a oportunidade de escrever, de fazer um blog ou falar na televisão. O que eu falei sobre os políticos vale para a imprensa também, não são melhores do que ninguém. O mesmo valia para mim na época em que era jogador. Não me sentia melhor do que ninguém por jogar futebol. Era minha função. Quem está vendo em casa tem de ter uma opinião própria. No Brasil, o torcedor vive a cultura do rádio. Ele vai pro estádio e leva o radinho na orelha. Está vendo, mas a aceitação maior é do que está ouvindo. Aí entro de novo nessa história do povo sentar e discutir. Emitir suas ideias. Se a ideia for a mais babaca do mundo, coloca na mesa e vamos discutir. Ou ela vale ou não vale. Eu sento na frente de uma televisão e alguém fala lá – seja na Globo, na ESPN ou na Fox – que o jogo está excelente e vejo que um mau futebol, fico com a minha opinião. A diferença entre o povo que está em casa e o que está na televisão é que os da televisão têm essa oportunidade de falar, o que não os torna melhor ou mais conhecedores. Como nunca fiz nem vou fazer, quando comento futebol, de falar “eu tiraria A e colocaria B”. Eu não treino os caras, não sei como foi a semana deles. Não sei como foi o vestiário minutos antes. A vida é feita de oportunidades que não te tornam melhor ou pior.

Fórum – E como você avalia a sua experiência como comentarista da ESPN, em 2015?

Alex – A experiência foi boa, passei por várias experiências que não imaginava que fossem assim. Tem comentarista que não entende nada de bola, mas conhece muito dos bastidores, e outros que sabem de bola e de bastidor. Vi gente que leva a análise sempre para a questão pessoal, quem acha que jogador tem de ser robô, ir lá, fazer aquilo e ponto. Exatamente o que eu vejo fora, na sociedade. Quando você sai de um cinema, tem gente que adorou o filme, outros que acharam uma merda, os que choram e os que não entendem porque aquilo leva alguém as lágrimas. É a mesma coisa.


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Por Vevé Prado

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