Paulo Autuori reafirma crítica aos jogos do Brasileirão as segundas e Galvão rebate no SporTV


Por UOL Esporte.

Após cornetar jogo do Brasileirão às segundas-feiras, novidade da programação do SporTV, antes da vitoria do seu Atlético-PR sobre o Cruzeiro, 3 a 0 no Mineirão, o técnico do Furacão, Paulo Autuori, voltou ao assunto no programa Bem, Amigos, em discurso crítico, rebatido por Galvão Bueno, comandante da atração, em extenso debate entre ambos ao vivo na TV.

“Fala, Galvão. Abraço a todos. Tô acostumado a estar segunda-feira aí e não jogando, participando de jogo. Prefiro estar aí'', disparou, logo de cara, Autuori, disposto a marcar sua posição sobre o tema.

Logo após as partidas às segundas, em faixa de futebol chamada pelo Sportv de “Segunda Campeão'', três destaques do jogo se colocam à disposição do Bem, Amigos para serem ouvidos logo no início da mesa redonda. Nesta noite, além de Autuori, o goleiro do Atlético-PR, Weverton foi ouvido, assim como o cruzeirense Arrascaeta.

“Perdão por colocar as coisas, vocês me conhecem já há algum tempo e são apenas situações conceituais. Acho importante que haja o contraponto, uma divergência de ideias e isso não tem absolutamente nada a ver em relação a lado pessoal. Apenas conceitos. Acho que o futebol brasileiro precisa disso'', continuou Paulo Autuori.

“Sou do tempo que a gente tinha certeza dos dias que iam acontecer os jogos e que não existiam jogos nas segundas, terças, quartas, quintas, sextas, sábados e domingos. Minha preocupação com o futebol brasileiro é com a vulgarização que está ocorrendo, então com todo o respeito que vocês sabem que eu tenho…'', explicou o treinador, para uma breve intervenção de Galvão, antes de ouvir os outros personagens do jogo. “Você vai me permitir discordar de você, assim como entendo inteiramente a sua decisão.''

Então o narrador da Globo retomou o assunto com Paulo Autuori, inicialmente o cobrindo de elogios e revelando ter tido o nome cogitado para a seleção, em uma conversa privada que ele, Galvão, teve com Carlos Alberto Parreira e direção da CBF, em 2006.

“Paulo, você sabe a admiração que tenho por você, como técnico. Eu vou cometer aqui uma inconfidência, já que eu vou discordar do seu início. Todo mundo fala que é a vez do Tite, que é o momento dele, assim como todo mundo falava depois da Copa de 2010 que era o momento do Muricy, que vinha de quatro Campeonatos Brasileiros em sequência. Você era o nome do Parreira depois da Copa de 2006, era claramente o seu momento, com todas as suas conquistas e dois dias antes do jogo com a França, conversando sobre isso com a direção da Confederação, diziam assim: 'o homem que o Parreira coloca para substituí-lo era o Paulo Autuori'. Então você sabe a admiração que tenho por você, pelo seu trabalho.''

Posto isso, Galvão foi para o debate:

“Eu vi o jogo desde o início e você, inteligente demais, deu uma resposta, fez uma brincadeira 'eu espero sair deste domingo, opa, domingo não, segunda-feira, porque hoje se joga todo dia'. Concordo que também não acho legal essa coisa de jogar segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado e domingo. A ideia da 'Segunda Campeã' primeiro começa pelo horário, das 20h, que todo mundo acha o horário muito bom e os resultados de público e audiência foram muito bons. Começa pela possibilidade do contato direto, que não existia assim, do técnico e dos jogadores com seus torcedores, com seu público e também de uma reclamação dos clubes de que pouco aparece o patrocinador E você sabe bem, o seu salário, também o meu, de todo mundo, tudo é pago, no fim das contas, pelo patrocinador e pela televisão. Olha que bacana todo mundo aparecendo com os seus patrocinadores, então foi uma coisa bem pensada, mas respeito a sua forma de pensar e, acima de tudo, o direito da divergência'', finalizou o discurso, já praticamente se despedindo do link ao vivo com os convidados, quando então Autuori resolver explicar melhor sua crítica.

“A questão não é jogar segunda, terça, quarta quinta, é a racionalidade de um calendário, apenas isso, que os profissionais deverão ser respeitados. Não é uma questão de uma ideia, nós temos muito boas ideias, mas se nós não tivermos um pacote de ideias que esteja apoiada em uma base que permita que essas ideias floresçam, fica difícil. Acho que uma ideia isolada, sem a percepção do todo, é muito complicado. Então não é o fato de jogar na segunda, na terça, na quarta, na quinta, nós podemos jogar, desde que seja uma coisa mais racional e que permita aos clubes, às equipes, aos treinadores, aos jogadores trabalharem e recuperarem pra poder jogar em uma situação que todo mundo fala no futebol brasileiro: alta intensidade. É impossível, tá provado, você não recupera tua capacidade de jogar em alta intensidade em menos de 96 horas, tá comprovado, cara, então a pergunta que eu faço é a seguinte: na CBF, alguém estuda isso? Há um grupo de estudos disso? Não há'', declarou.

E, colocando o dedo ainda mais na ferida, finalizou: “Como profissional, acho que nós devemos ser um pouco mais respeitados. Infelizmente, o 'Bom Senso' não vai continuar, e não vai continuar porque o sistema não permite que o 'Bom Senso' continue, porque tem muitas ideias boas e o sistema não permite que essas ideias sejam pelo menos discutidas. Esse é o nosso grande problema.''

“Obrigado, Paulo. Você tá convidado para vir aqui para a gente discutir esse assunto, assim como tá aberto para que a CBF possa dar uma resposta'', encerrou o debate Galvão.


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Por Vevé Prado

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